Ela vem,
macia como iceberg
Meu braço alça vôo
Atraca em teu ombro
Busca o rumo dos olhos
Ela vem e é toda
úmida
Os lábios negros se tocam
Num beijo inconseqüente
Inevitável sombrio
Ela vem, rugindo,
morre a meus pés
Por instante meu braço pende
Meus dedos tateiam o vazio
As pernas tropeçam
Ela vem,
pássaro kamikaze
Num vôo rasante
Coroando o negro em alva
Abraça meu calcanhar
Ela vem,
insistente como lágrima
Ao redor tudo é úmido-deserto
O caminhar dos olhos
Pisoteiam os rastros
Ela vem fatiada
como desgelo
Num galope mágico
Rédeas soltas
Ferraduras em concha
Ela vem;
e vem e vem…
Sonhos queimam alto
Marcam o silencio das cordas
Ascendem olhares
E ela vem
cambaleando rumores
As velas choram
Extinguem o ardor
Afoga as pegadas
Agora tudo é úmido
Resta o negro circulo no deserto
E ela, ali…
Vindo
Vindo
Vindo…
Gerber de Sá (23/05/08)