sotonverbos
Meus poemas, poesias, contos e outros textos.

Iun
18

Ela vem,

            macia como iceberg

Meu braço alça vôo

Atraca em teu ombro

Busca o rumo dos olhos

 

Ela vem e é toda

                           úmida

Os lábios negros se tocam

Num beijo inconseqüente

Inevitável sombrio

 

Ela vem, rugindo,

         morre a meus pés

Por instante meu braço pende

Meus dedos tateiam o vazio

As pernas tropeçam

 

Ela vem,

       pássaro kamikaze

Num vôo rasante

Coroando o negro em alva

Abraça meu calcanhar

 

Ela vem,

          insistente como lágrima

Ao redor tudo é úmido-deserto

O caminhar dos olhos

Pisoteiam os rastros

 

Ela vem fatiada

                          como desgelo

Num galope mágico

Rédeas soltas

Ferraduras em concha

 

Ela vem;

               e vem e vem…

Sonhos queimam alto

Marcam o silencio das cordas

Ascendem olhares

 

E ela vem

                 cambaleando rumores

As velas choram

Extinguem o ardor

Afoga as pegadas

 

Agora tudo é úmido

Resta o negro circulo no deserto

E ela, ali…

                Vindo

                            Vindo

                                        Vindo…

 

Gerber de Sá         (23/05/08)

Iun
02

 

Não vou-me embora de Pasárgada

Aqui me sinto um rei

Tenho a mulher que escolhi

Na cama que desejei

Não vou-me embora de Pasárgada

 

Não vou-me embora de Pasárgada!

Fora daqui não serei feliz

Aqui já vivo uma aventura

De um jeito inerente

Onde Bruna, a Surfistinha

Que diz escrever o que sente

Venha a ser até parente

De mulheres que já tive

 

E como beijo mulheres

Digo frases poéticas

Vou a saraus de poesia

Encho a cara nos botecos

Chego até a cantarolar

E quando estou meio-alto

Pelas ruas a devanear

Sigo o rumo do pecado

Me aconchego de mancinho

Na dona que me faz carinho

E no fim da noite vai me amar

Não vou-me embora de Pasárgada!

 

Em Pasárgada tem de tudo

Bebidas mulheres paixão

Pílulas, a do dia seguinte

É mais uma prevenção

Tem música néon êxtase

Pó rolando nas esquinas

Peitos grandes coxas nuas

A exibir lindas meninas

E se acaso eu ficar triste

Por algum motivo me magoar

Aqui eu sei que existe

Alguém pra me consolar

 

_Aqui me sinto um rei

Tenho a mulher que escolhi

Na cama que desejei

Não vou-me embora de Pasárgada

 

Gerber de Sá       (09/05/08)

Feb
12

escalo teus picos
                           duros
        lambendo o sal das horas
as pétalas se abrem exaurindo da flor
       o perfume
                              a cor
enquanto o cálice exala a ausência
                                    do vinho.

Gerber de Sá           (08/02/08)

Feb
12

resta o negro da chama
         engolido pelo marsh-mellow,
fagulhas espalham pelo teto
         a canção da brisa não lamenta
                     os ponteiros se arrastam
no sal…  afogamos nossa sede

Gerber de Sá            (08/02/08)

Feb
12

o mar traga o último gole da chama
    as velas ascendem teus olhos
            refletem teu corpo
o vento leva o aroma de oliva
         mas teu cheiro não vai
insiste em permanecer entre nós
       entre nossos toques
                     nossas caricias
                               nossos beijos
teu cheiro
                teu vinho
transborda a taça que afogo meus desejos.

Gerber de Sá             (08/02/08)
 

Feb
12

o candelabro acesso inutilizava as velas
           uma canção de além
                             chega galopando no vento
enquanto você cavalgava em mim
o rumor das ondas quebravam teus lábios
               o verde
                         dos olhos
                                    do mar
refletiam prateado
      sob nós
             um véu de sal despejado.

Gerber de Sá              (08/02/08)

Feb
12


o farol prata revela o rastro lento
                         que o mar não lambeu
a oliva há muito levado pela brisa
              não mais perfuma a areia
o verde, agora, só brota do mar
o cálice vazio discute minha embriaguês
             diz que estou sóbrio
                            sussurra em meus sentidos
ela vai voltar
         a aurora, ela vai voltar
                   com a aurora.
Gerber de Sá         (08/02/08)

Feb
03

Se eu te pedisse!
Veja o vento
que envolve teu ser.
E tu risses.
E em teus olhos eu visse
o brilho noturno,
o resto de um sono diurno
que escorre pelo tempo
em ponteiros in… decisos
indignos de conter-se só.
Um vinho em pretérito imperfeito,
seco e sem direito de ser
vinho num tempo perfeito.

Gerber de Sá      (24/08/07)

Feb
03

Que os Deuses perdoem
pois lhes reservo o espírito
entorpecido no fruto de Dionísio
Que o corpo
e a mente inerte… sente
explodir no interior do ser
o desejo de ceder;
e ressurgir o ressentimento
do silêncio.
Se… bebêssemos juntos,
um vinho tinto, seco e perfeito.

Gerber de Sá         (24/08/07)

Feb
03

O doce mel de Dionísio
entorpece os sentidos e nos
conduz rumo incerto pro ilusório
mente – débil mente…
sente dizer o que sente

infinito momento de desprezo
inconseqüente enjôo, vômito…
dói o sentimento despejado
sem limites,

perto do lóbulo
dentro…   de um copo de vinho.

Gerber de Sá           (20/08/07)