Ela vem,
macia como iceberg
Meu braço alça vôo
Atraca em teu ombro
Busca o rumo dos olhos
Ela vem e é toda
úmida
Os lábios negros se tocam
Num beijo inconseqüente
Inevitável sombrio
Ela vem, rugindo,
morre a meus pés
Por instante meu braço pende
Meus dedos tateiam o vazio
As pernas tropeçam
Ela vem,
pássaro kamikaze
Num vôo rasante
Coroando o negro em alva
Abraça meu calcanhar
Ela vem,
insistente como lágrima
Ao redor tudo é úmido-deserto
O caminhar dos olhos
Pisoteiam os rastros
Ela vem fatiada
como desgelo
Num galope mágico
Rédeas soltas
Ferraduras em concha
Ela vem;
e vem e vem…
Sonhos queimam alto
Marcam o silencio das cordas
Ascendem olhares
E ela vem
cambaleando rumores
As velas choram
Extinguem o ardor
Afoga as pegadas
Agora tudo é úmido
Resta o negro circulo no deserto
E ela, ali…
Vindo
Vindo
Vindo…
Gerber de Sá (23/05/08)
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Não vou-me embora de Pasárgada
Aqui me sinto um rei
Tenho a mulher que escolhi
Na cama que desejei
Não vou-me embora de Pasárgada
Não vou-me embora de Pasárgada!
Fora daqui não serei feliz
Aqui já vivo uma aventura
De um jeito inerente
Onde Bruna, a Surfistinha
Que diz escrever o que sente
Venha a ser até parente
De mulheres que já tive
E como beijo mulheres
Digo frases poéticas
Vou a saraus de poesia
Encho a cara nos botecos
Chego até a cantarolar
E quando estou meio-alto
Pelas ruas a devanear
Sigo o rumo do pecado
Me aconchego de mancinho
Na dona que me faz carinho
E no fim da noite vai me amar
Não vou-me embora de Pasárgada!
Em Pasárgada tem de tudo
Bebidas mulheres paixão
Pílulas, a do dia seguinte
É mais uma prevenção
Tem música néon êxtase
Pó rolando nas esquinas
Peitos grandes coxas nuas
A exibir lindas meninas
E se acaso eu ficar triste
Por algum motivo me magoar
Aqui eu sei que existe
Alguém pra me consolar
_Aqui me sinto um rei
Tenho a mulher que escolhi
Na cama que desejei
Não vou-me embora de Pasárgada
Gerber de Sá (09/05/08)
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escalo teus picos
duros
lambendo o sal das horas
as pétalas se abrem exaurindo da flor
o perfume
a cor
enquanto o cálice exala a ausência
do vinho.
Gerber de Sá (08/02/08)
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resta o negro da chama
engolido pelo marsh-mellow,
fagulhas espalham pelo teto
a canção da brisa não lamenta
os ponteiros se arrastam
no sal… afogamos nossa sede
Gerber de Sá (08/02/08)
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o mar traga o último gole da chama
as velas ascendem teus olhos
refletem teu corpo
o vento leva o aroma de oliva
mas teu cheiro não vai
insiste em permanecer entre nós
entre nossos toques
nossas caricias
nossos beijos
teu cheiro
teu vinho
transborda a taça que afogo meus desejos.
Gerber de Sá (08/02/08)
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o candelabro acesso inutilizava as velas
uma canção de além
chega galopando no vento
enquanto você cavalgava em mim
o rumor das ondas quebravam teus lábios
o verde
dos olhos
do mar
refletiam prateado
sob nós
um véu de sal despejado.
Gerber de Sá (08/02/08)
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o farol prata revela o rastro lento
que o mar não lambeu
a oliva há muito levado pela brisa
não mais perfuma a areia
o verde, agora, só brota do mar
o cálice vazio discute minha embriaguês
diz que estou sóbrio
sussurra em meus sentidos
ela vai voltar
a aurora, ela vai voltar
com a aurora.Gerber de Sá (08/02/08)
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Se eu te pedisse!
Veja o vento
que envolve teu ser.
E tu risses.
E em teus olhos eu visse
o brilho noturno,
o resto de um sono diurno
que escorre pelo tempo
em ponteiros in… decisos
indignos de conter-se só.
Um vinho em pretérito imperfeito,
seco e sem direito de ser
vinho num tempo perfeito.
Gerber de Sá (24/08/07)
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Que os Deuses perdoem
pois lhes reservo o espírito
entorpecido no fruto de Dionísio
Que o corpo
e a mente inerte… sente
explodir no interior do ser
o desejo de ceder;
e ressurgir o ressentimento
do silêncio.
Se… bebêssemos juntos,
um vinho tinto, seco e perfeito.
Gerber de Sá (24/08/07)
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O doce mel de Dionísio
entorpece os sentidos e nos
conduz rumo incerto pro ilusório
mente – débil mente…
sente dizer o que sente
infinito momento de desprezo
inconseqüente enjôo, vômito…
dói o sentimento despejado
sem limites,
perto do lóbulo
dentro… de um copo de vinho.
Gerber de Sá (20/08/07)
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